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Ano 42 - Nº 2143
09 de Outubro de 2026
Oládio Cesário Borges, militar aposentado, nascido em Pains/MG, em 15 de setembro de 1939, casou-se com Madalena Maria, 72, com quem teve uma filha, Carla Gisele, 39, que deu a ele um neto, Leonardo César, 29. Para saber mais sobre a história de vida dele, a reportagem GP conversou com Oládio. Acompanhe pelo resumo.
“Nasci em Pains/MG, mas fui criado em Dores do Indaiá/MG. Depois, aos 20 anos, me mudei para Bom Despacho/MG e entrei na polícia, onde me formei e eu fui destacado pelo batalhão de lá, para trabalhar em Divinópolis/MG, de onde consegui a transferência para Pará de Minas. Minha infância foi muito dolorosa, porque eu trabalhei na roça, até os 20 anos, onde nós plantávamos lavouras e colhíamos tanto mantimento que até sobrava na virada de um ano para o outro. Aí, jogávamos mantimento fora, porque, apesar de que tínhamos alqueires de arroz e sacos de feijão, não tínhamos pra quem vender. Nós também engordávamos porcos e levávamos de carro de boi, para vender em Dores no Indaiá/MG. Como a gente só recebia o pagamento, no outro mês, pegávamos sal, querosene e outras coisas que eles anotavam lá. Tinha vez que levávamos rapaduras, ovos e banda de capado. Plantávamos milho também, tirando metade da produção, para acabar de engordar os porcos e o resto, a gente levava de caminhão, para uma fábrica de fazer ração, em Formiga/MG. Quando nós matávamos porco, os miúdos ficavam em casa e o resto nós levávamos para os armazéns e só recebíamos no outro mês, também. Mas na fazenda, além de trabalhar, brincávamos também de fazer carrinhos de boi, com os vizinhos, fazendo fazendinhas. Fazíamos também carrinhos de tábua, com rodinhas para brincar. Mas daí a pouco, meu pai já chamava pra trabalhar. Nossa alimentação era toda produzida na roça, tudo natural, não usando nada da cidade, nem açúcar, porque tínhamos rapadura. Plantávamos mandioca e fazíamos farinha, entre várias outras coisas,” relembra Oládio.
ADOLESCÊNCIA – “Minha mãe faleceu em Dores do Indaiá e o meu pai, em São Paulo, porque uma irmã minha tinha se mudado pra lá, para trabalhar com as amigas dela. Aí, um dia, ela veio aqui e levou todo mundo pra lá. Eu fiquei lá 2 anos e, depois, voltei pra Bom Despacho pra morar com uma outra irmã. Aí, vendemos a fazenda, repartimos o dinheiro e todos compramos casas pra morar. Como eu comprei a minha aqui, em Pará de Minas e já tinha me formado em Bom Despacho, pedi a transferência pra vir para Pará de Minas, onde me casei, há 50 e tantos anos. Na roça, eu tive pouca leitura, por isso fiz o curso de militar três vezes, porque tinha mais pessoas com mais leitura que eu. Sendo assim, eu me formei só até 4º ano só. Fiz o concurso, mas não fui classificado por conta da minha pouca escolaridade. Depois de formado, passei na escola de recruta, fui a cabo e me aposentei sargento.”
“QUANDO EU FUI CONSTRUIR MINHA CASA, EU NÃO PAGUEI UM TOSTÃO A NINGUÉM. FIZ TUDO SOZINHO”
CASAMENTO E FILHOS – “Conheci a minha esposa, em Torneiros/MG, onde ela morava. Eu estava fazendo patrulhamento lá na rua, vi ela e nós conversamos. Depois, conversei com a minha sogra e ela gostou do meu jeito, mas outros soldados falaram com a minha sogra assim: Não deixa ele namorar a sua filha, não. Ele é muito vadio, deixa ela namorar com um outro um outro soldado qualquer. Aí, tinha outro soldado que chamava José Raimundo e o sargento apresentou pra ela, mas ela não gostou dele, gostava era de mim. Aí, nós íamos assistir filmes, nos Cines Vitória e Imperial. Um dia, falei com a minha sogra que eu queria namorar e me casar com a filha dela. Ela respondeu assim: Mas você não tem casa, não tem nada! Como eu já tinha alugado uma casa, levei ela pra ver. Começamos a namorar, ela tinha 16 e eu 29 nos, mas só fomos nos casar quando ela fez 18. Moramos em duas casas alugadas, durante 30 anos, mas quando eu me aposentei, comprei um lote na Vila Maria e eu mesmo construí a nossa casa, do nada. Isso, porque, antes de eu me formar, o coronel José Geraldo de Oliveira, então comandante geral da Polícia Militar, me levou para Carapebus/RJ, onde ele havia comprado seis aluqueires de terra e eu ajudei a construir vinte e cinco casas lá. Trabalhava de pedreiro, de eletricista, fazia de tudo. Então, quando eu fui construir minha casa, eu não paguei um tostão a ninguém. Fiz tudo sozinho. Aí, tivemos nossa filha, quando minha esposa deixava ela com a minha sogra e ia trabalhar na escola Pereira da Costa. Depois, ela foi para o Banco Brasil, onde trabalhou durante 6 ou 7 anos. Quando a Cidinha da Brintel foi nomeada diretora do Pereira da Costa, minha esposa voltou pra lá, porque gostava muito dela. Inclusive, a nossa filha trabalha na Brintel, há uns 30 anos, além de ser diretora do Cras. Ela tem dois serviços.”
E HOJE EM DIA? - “* Agora, eu fico mais em casa, tomando conta da horta que eu tenho no fundo do quintal. Lá, tem de tudo! * Nas terças e quintas-feiras, faço pilates, e na sexta, quando eu não vou ao Centro de Convivência dos Idosos, vou para a praça da rodoviária velha (Torquato de Almeida) e fico lá olhando meus amigos jogarem truco. Quando há vaga, eu jogo também com eles. Como a minha filha tem um carro, eu passei o meu, para o meu neto e quando eles não podem me levar, eu peço um aplicativo. Minha filha e meu neto moram com a gente. Eu queria que ele entrasse para polícia também. * Minha esposa tem um problema no joelho e o médico vai ver se precisa fazer cirurgia ou só um tratamento. * Gosto muito de assistir televisão. Tenho um aparelhinho que pega os canais do mundo inteiro, mas há guerra em tudo quanto é lugar e eu não gosto disso, porque eu trabalhei na polícia. Gosto mesmo é assistir jogos de futebol, no meu quarto. Com esse aparelhinho, não passa propaganda. Então, é bom demais. * O progresso do Brasil tem sido grande demais, mas tem muita gente que perdeu a profissão, por conta disso. * Sobre os jovens, eu diria para eles fazerem igual o meu neto fez: estudar muito e formar, para ter direito a qualquer tipo de emprego, pois há muita vaga em todos os lugares no Brasil. * O momento mais feliz da minha vida foi quando eu me casei! * Já o momento mais triste foi quando a minha 1ª irmã mais velha, a Regina morreu de fraqueza, em Bom Despacho. E os outros irmãos também. * Saudade? Deixa eu ver. Gostaria que existisse celular na minha época, para eu ter filmado tudo que se passou comigo. Tenho vontade de rever todos os momentos que se passaram na minha vida. * O segredo para chegar na minha idade é fazer só coisas boas para as pessoas, não beber, não fumar e não ficar até tarde pelas ruas, botecos, fazendo falcatruas e depois chegar em casa bêbado, atrapalhando tudo. Eu nunca bebi, nunca fumei, nunca usei nada. Só ia dormir tarde nas noites em que eu tinha plantão na delegacia, vigiando os presos. Mesmo assim, quando eu chegava em casa, ficava quieto, repousando, para voltar a trabalhar, depois.”
OLÁDIO CESÁRIO BORGES, 87